27/01/2026
Muitas pessoas acreditam que apenas o empréstimo consignado pode ser questionado judicialmente.
Isso não é verdade.
O empréstimo pessoal também pode ser anulado quando apresenta falhas na sua contratação, especialmente quando o consumidor não recebe informações claras ou não manifesta consentimento válido.
O que é o empréstimo pessoal?
Diferente do consignado, o empréstimo pessoal:
• não tem desconto automático em folha;
• é pago por boleto ou débito em conta;
• costuma ter juros mais elevados;
• oferece menos garantias ao banco.
Justamente por isso, o dever de informação é ainda mais importante.
Quando um empréstimo pessoal pode ser anulado?
O contrato pode ser questionado quando há vício na sua formação, como:
• falta de informação clara sobre valores e prazos;
• contratação digital confusa;
• assinatura sem prova de autoria;
• contratação por telefone ou aplicativo sem clareza;
• ausência de entrega do contrato ao consumidor.
O problema não é o empréstimo em si, mas como ele foi contratado.
Falta de informação: o erro mais comum
É muito comum o consumidor não saber:
• quanto pagará ao final;
• quantas parcelas foram contratadas;
• qual a taxa de juros aplicada;
• se existem encargos adicionais.
Quando essas informações não são prestadas de forma clara, há violação do Código de Defesa do Consumidor.
Contratações digitais e por telefone
Hoje, muitos empréstimos pessoais são contratados:
• por aplicativos;
• por telefone;
• por mensagens.
Essas modalidades exigem registro claro da vontade do consumidor.
Se o banco não consegue provar que:
• o consumidor entendeu o contrato;
• teve acesso às condições;
• manifestou consentimento válido,
o contrato pode ser questionado.
Assinatura eletrônica também precisa de prova
Assim como nos consignados, não basta apresentar um contrato genérico.
O banco precisa demonstrar:
• quem assinou;
• quando assinou;
• como assinou;
• em qual dispositivo.
Sem esses elementos, a assinatura perde força jurídica.
“Mas o dinheiro caiu na conta…”
Receber o valor do empréstimo não impede a análise do contrato.
Em muitos casos, o consumidor:
• não percebe que contratou;
• acredita tratar-se de outra operação;
• não entende o impacto financeiro total.
Consentimento não pode ser presumido apenas pelo crédito em conta.
O que a Justiça tem decidido?
Os tribunais têm reconhecido que:
• a falta de informação invalida contratos;
• o banco tem o dever de esclarecer;
• o consumidor é parte vulnerável;
• contratos digitais exigem prova técnica.
Cada caso é analisado individualmente, mas o entendimento é consistente.
Quando desconfiar de um empréstimo pessoal?
Alguns sinais de alerta:
• você não lembra de ter contratado;
• não recebeu o contrato;
• as parcelas são diferentes do combinado;
• o valor final é muito maior do que imaginava;
• a contratação foi apressada.
Esses pontos merecem atenção.
Conclusão
O empréstimo pessoal pode, sim, ser anulado quando há falhas na sua contratação.
O simples recebimento do dinheiro não valida um contrato irregular.
Informação clara e consentimento válido são indispensáveis.
Cada situação deve ser analisada com cuidado, considerando documentos e a forma como a contratação ocorreu.
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